segunda-feira, 10 de março de 2008

Se o problema da educação e dos professores fosse fácil de enunciar e de organizar não haveria decerto tanta polémica. Digo eu. Era assim: os professores são uma cambada, a ministra tem toda a razão, porrada neles. Ou então: a ministra é um ogre, os professores têm toda a razão na sua justa luta, rua com a ministra. Infelizmente não é assim. A ministra tem basicamente razão nas grandes linhas da sua actuação, excepto numa. Os professores reagem fundamentalmente instigados pelo instinto corporativo mas baseiam-se em meia dúzia de asneiras reais identificáveis nas decisões do ministério. 
É curioso que os professores não contestam a ministra naquele que é o tal erro estratégico que eu mencionei e que passo a enunciar: a necessidade de alterar drasticamente a metodologia de gestão nas escolas nomeadamente descentralizando e consequentemente esvaziando a bolha burocrática centralista do Ministério.
É igualmente curioso que a essência do argumentativo "anti-manifestação" oblitere as asneiras mais visíveis do Ministério, vidé a uniformização forçada, a nível nacional, dos parâmetros de avaliação, as desgraçadas decisões relativas ao ensino de deficientes e ao ensino da música e as dificuldades de estabelecer parâmetros claros na política dos manuais escolares e na implementação dos exames como instrumento de avaliação dos alunos (e já agora dos professores).
Não está fácil para o Engº Técnico... sobretudo depois do tiro no pé que eu considero ter sido a demissão de Correia de Campos. 

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